—Assina essa autorização e vai para a clínica, velha. Ou eu faço teu filho acreditar que você enlouqueceu de vez.
Dona Celina, com 71 anos, tremia encostada na ilha de mármore da cozinha, enquanto a chuva batia nos vidros da mansão no Jardim Europa, em São Paulo.
Otávio Alencar tinha voltado 1 dia antes de uma viagem a Dubai. Queria surpreender a mãe com pão de queijo quente, café coado e a notícia de que passaria o domingo inteiro em casa. Em vez disso, parou no corredor com a mala ainda na mão e ouviu o choro que ele jamais esqueceria.

—O Otávio nunca permitiria isso —sussurrou Dona Celina.
Larissa Vilar riu baixo, bonita demais por fora e podre demais por dentro.
—Otávio permite o que mantém a imagem dele limpa. E depois do casamento, quem decide quem chega perto dele sou eu.
Otávio sentiu o peito gelar. Não entrou gritando. Não fez cena. Apenas colocou a mala no chão, trancou a porta principal por dentro e abriu a câmera do celular.
Larissa segurava uma pasta com laudo médico, autorização de internação e um termo de silêncio. Tudo preparado para mandar Dona Celina para uma clínica geriátrica em Cotia, como se ela fosse um móvel velho atrapalhando a decoração.
—Você não entende —chorou Dona Celina—. Ele é tudo que eu tenho.
—Não —Larissa respondeu, cravando as unhas no ombro dela—. Ele é tudo que eu tenho. O dinheiro, a fundação, os contatos, a cobertura, tudo.
Dona Celina olhou para a caneta como quem olha para uma faca.
—Eu vendi minha aliança para pagar a primeira mensalidade da faculdade dele. Passei noites costurando barra de calça para ele não abandonar os estudos. Eu não vou assinar uma mentira contra meu filho.
O tapa estalou na cozinha.
Otávio quase avançou.
Mas sua mãe ergueu o rosto, com a bochecha vermelha e os olhos molhados.
—Meu filho me escolheu antes de conhecer você.
Larissa se inclinou, furiosa.
—Então vou fazer ele escolher de novo.
O celular dela tocou em viva-voz. Um homem perguntou:
—Ela já assinou?
—Quase. Ele só volta amanhã.
Otávio aproximou o zoom.
E quando Larissa respondeu ao homem que, depois do casamento, os bens passariam para uma estrutura familiar controlada por ela, Dona Celina virou os olhos para o corredor.
Larissa percebeu.
Virou devagar.
Otávio estava parado ali, gravando tudo.
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