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PARTE 3: Ela virou lentamente. E o rosto dela… era o rosto da minha irmã quando criança. A mesma que morreu naquele hospital.

Eu não conseguia respirar direito.

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A menina me olhava como se me conhecesse há muito tempo.

— “Você demorou”, ela disse.

— “Quem é você?” minha voz falhou.

Ela apontou para mim.

— “Você prometeu.”

As luzes da sala piscaram.

Por um segundo, tudo ficou escuro.

Quando voltou…

não era mais uma sala de hospital.

Era o corredor antigo.

O mesmo hospital de 12 anos atrás.

As paredes descascadas. O cheiro de desinfetante forte. O som distante de monitores cardíacos.

Eu estava de novo naquela noite.

A noite em que minha irmã morreu.

E então eu vi.

Eu mais jovem… segurando a mão dela… enquanto os médicos corriam.

Mas algo estava diferente.

Eu não tinha feito tudo o que lembrava ter feito.

Na verdade…

eu tinha saído da sala.

A deixado sozinha.

A menina apareceu ao meu lado novamente.

Mas agora sua voz não era mais infantil.

— “Você nunca voltou.”

Minhas pernas fraquejaram.

— “Isso não é real…”

— “É mais real do que a história que você contou pra si mesmo”, ela respondeu.

O monitor cardíaco começou a apitar no fundo da memória.

Cada som mais alto.

Mais agressivo.

Até virar um alarme.

E tudo começou a se desfazer.

A menina segurou minha mão.

E disse:

— “Agora você vai lembrar de verdade.”

Acordei dentro da ambulância.

Motor ligado.

Rádio chamando meu nome.

— “Rafael? Você está aí?”

Olhei para o banco de trás.

Não havia ninguém.

Mas no painel… um papel.

Uma ficha antiga.

Com o nome dela escrito:

“Paciente: Sofia Duarte – 7 anos (falecida)”

E embaixo, uma linha nova escrita à mão:

“Ela nunca te ligou. Você ligou para si mesmo.”

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