O que havia do outro lado não era um hospital.
Era um laboratório enterrado dentro dele.
Monitores antigos, arquivos físicos, telas piscando.
E centenas de pastas com meu nome.
“Caio Mendes – sujeito 07”
“Caio Mendes – reinício de memória”
“Caio Mendes – versão instável”
Minha respiração falhou.
Uma tela acendeu sozinha.
Mostrava minha casa.
Agora.
Ao vivo.
E uma voz atrás de mim disse:
— “Ele já está pronto para lembrar.”
Eu não era funcionário.
Eu era parte do experimento.
Um projeto de reconstrução de memória dentro do hospital.
Eles não tratavam pacientes.
Eles reescreviam identidades.
A Dra. Helena apareceu na porta.
— “Caio… você não deveria ter chegado até aqui.”
— “O que vocês fizeram comigo?”
Ela hesitou.
— “Nós apenas corrigimos você.”
O alarme disparou.
As luzes começaram a piscar.
E tudo dentro da minha mente começou a quebrar: memórias falsas, rostos, vidas que não sei se foram minhas.
A última frase ecoou no sistema:
— “Iniciando reintegração final.”
Acordei no corredor 3.
Tudo normal.
Funcionários andando.
Câmeras limpas.
Meu crachá dizia:
“Técnico: Caio Mendes – Nível 1”
Mas no meu bolso havia um papel dobrado.
Só uma frase:
“Você ainda está dentro do sistema.”
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